Combater o trabalho escravo é um dos propósitos da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que desde há mais de 26 anos vem realizando a Campanha “De olho para não virar escravo”. Essa é uma realidade muito presente na Amazônia, mas que nem sempre é visibilizada e denunciada.
Tentando
avançar nesse combate ao trabalho escravo a Comissão Pastoral da Terra Regional
Norte1 está realizando nos dias 12 e 13 de setembro de 2023 o encontro de
planejamento desta campanha, querendo se somar a uma luta que possa ajudar a
superar aquilo que o Papa Francisco chama de uma chaga social presente no mundo.
O encontro
conta com assessoria de Francisco Alan Santos, agente da CPT no Estado do Pará
e membro da Equipe Nacional da Campanha. Ele destaca que neste encontro querem pensar
nas estratégias nas comunidades onde a CPT local atua. Estamos diante de “uma
campanha que busca fazer um trabalho preventivo em comunidades vulneráveis junto
a trabalhadores e trabalhadoras, mas ao mesmo tempo fazer um processo de
mobilização em toda a sociedade, inda nas periferias, nas comunidades rurais e
ribeirinhas, levando essa informação aos trabalhadores e trabalhadoras sobre o
que é que é o trabalho escravo, quais são os seus direitos, caso o trabalhador
a trabalhadora tenha sua dignidade ferida”, afirma o agente da CPT.
Francisco
Alan Santos insiste em que estamos diante de “um trabalho que busca envolver
outras pastorais, organismos da nossa Igreja, mas também entidades da sociedade
civil nesse processo de mobilização e de enfrentamento”. Essa é uma urgência na
Amazônia, uma região onde o trabalho escravo, “mesmo sendo um tema latente na
região, infelizmente está invisível”.
Diante
disso, ele insistiu em que “o nosso dever, o nosso papel enquanto sociedade,
enquanto Igreja, é levar essas informações para as comunidades para que essas
denúncias possam chegar aos órgãos de fiscalização. Certamente na região
amazônica e aqui no Amazonas existe essa problemática do trabalho escravo, precisamos
dar visibilidade a esse tema que é urgente. Só assim essas entidades, elas vão
poder atuar com mais agilidade resgatando trabalhares e trabalhadoras em situações
degradantes, exaustivas e de trabalho forçado que certamente estão presentes
nesse chão”.
O agente da
CPT ressalta que “é preciso denunciar, a denúncia é bastante importante porque
isso vai propiciar uma mobilização e atuação dos órgãos de repressão no
enfrentamento ao trabalho escravo”. Franscisco Alan Santos destaca que esse é
um grito profético que a Igreja teve a partir da década de 60, a partir de dom
Pedro Casaldáliga e de tantos outros religiosos e religiosas. Junto com isso,
insiste na importância do grito profético de entidades, de pastorais, de
organismos que também enfrentam essa problemática do tráfico de pessoas para
fins de exploração sexual, no caso da Rede um Grito pela Vida, e a própria CPT
que assume também essa missão no chão dessa realidade.
Segundo a Ir. Agostinha Souza, o encontro pretende ser um momento para “um planejamento que estamos iniciando, porque ainda não temos um trabalho diante desta realidade que sabemos que existe e muito”. Dado que a CPT Regional Norte1 não tem nenhum agente preparado, o encontro é uma oportunidade para poder capacitar os agentes para trabalhar nesta área. A religiosa enfatiza que “há muita violação de direitos dos trabalhadores devido a toda esta situação do desmatamento”. Isso faz com que “as pessoas estão muito vulneráveis por conta desta questão, sendo privados destes direitos de liberdade”.
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