quinta-feira, 27 de março de 2025

COP-30: uma oportunidade para ser cientes das ameaças e exigir uma política do cuidado


Belém do Pará, que nesta terça e quarta-feira, 25 e 26 de março, sediou a Pré-COP, um evento organizado pela Igreja católica e que contou com a presenças dos seis regionais que fazem parte da Amazônia brasileira, será sede em novembro da COP-30, a Conferência da ONU sobre as Mudanças Climáticas.

Mesmo que algumas pessoas neguem isso, a atual crise climática é mais do que evidente, mas se faz necessário aprofundar no conhecimento dos dados científicos para rebater aqueles que negam as consequências do aquecimento global, que prejudica gravemente às pessoas mais vulneráveis e provoca um grave impacto sobre o território amazônico.

A COP-30 é uma oportunidade para pensar em caminhos concretos que ajudem a mitigar as graves consequências das mudanças climáticas em todos os níveis, tanto localmente, como em cada país e no mundo todo. Essa realidade tem que estar cada vez mais presente na agenda global, tem que fazer parte das discussões nos parlamentos, que não podem ignorar o clamor do povo, especialmente dos mais pobres e vulneráveis, constantemente atingidos pelos impactos do aquecimento global.

Todos os grandes atores em nível mundial, também a Igreja católica, deveriam ser uma voz firme em defesa do Planeta e da humanidade. De fato, a Igreja católica, uma dinâmica acrescentada no pontificado do Papa Francisco, sempre foi uma voz profética em defesa do Planeta, da Criação de Deus, defendendo os povos originários, aqueles que ensinam, mesmo que muitas pessoas não queiram aprender, o que significa o cuidado da Mãe Terra.

Não podemos negar, pois isso nos distancia de Deus, que nossa fé tem que se expressar nas obras, no compromisso com o reino de Deus, com um mundo melhor para todos e todas, com um desdobramento da nossa fé no campo social. Se temos fé, não podemos ficar calados diante da exploração desmedida e irracional que sofre o Planeta, sobretudo na região amazônica, onde a conversão ecológica é uma urgência inadiável, ainda mais diante das denúncias que os povos originários e as comunidades fazem, cada vez mais forte, mas infelizmente, cada vez mais ignoradas.

Se a sociedade e a Igreja católica no Brasil deixar passar a oportunidade de incentivar a população a tomar consciência da realidade climática, vai ser dado um passo a mais na destruição do Planeta. Só superando visões superficiais vamos entender a verdadeira problemática climática. Se faz mais do que urgente atuar, juntos, assumindo nosso compromisso com a vida, e para aqueles que temos fé, nosso compromisso com Deus.


Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 - Editorial Rádio Rio Mar

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