quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Assembleia Eclesial: o grande avanço foi sua realização


Toda primeira quinta-feira de cada mês a Igreja do Brasil tem uma cita marcada com “Igreja no Brasil Painel”. Dom Joaquim Mol, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação, convida para a reflexão sobre temas atuais da Igreja no Brasil.

Desta vez foi a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, encerrada no último domingo 28 de novembro, que o bispo auxiliar de Belo Horizonte definiu como “uma experiência única”, mostrando o desejo de que sejam muitas realizadas no futuro.

O tema do encontro virtual foi: “Mais sim, menos não: por uma Igreja Sinodal em saída para as periferias", lembrando todo o processo da Assembleia Eclesial no Brasil desde o processo de escuta, que foi fonte do Documento para o discernimento comunitário, segundo lembrou Dom Mol. As convidadas foram duas mulheres: Sônia Gomes de Oliveira, Coordenadora do Conselho Nacional do Laicato do Brasil, que integrou a Comissão Nacional de Animação da Assembleia Eclesial e participou virtualmente, e a irmã Maria Inês Vieira Ribeiro, presidenta da Conferência dos Religiosos do Brasil, presente no México durante a Assembleia.

A religiosa afirmou que essa Assembleia foi e será uma grade graça para a Igreja da América Latina e do Caribe, insistindo em que pela primeira vez foi realizada uma Assembleia Eclesial. Ela destacou a presença do povo de Deus e citou o exemplo do cardeal Gracias, chegado dessas a Índia, para aprender conosco da América Latina”. Também destacou a participação sincera e responsável de todos os que se envolveram no processo de escuta, mesmo com pouco tempo e limitado.



Para a irmã Maria Inês foi uma graça estar com o povo de Deus e com Nossa Senhora de Guadalupe, caminhar entre os peregrinos, relatando sua emoção diante do povo sedento de Deus e com uma fé imensa. Também destacou o fato de ter sido uma Assembleia única, os que estavam presenciais e virtuais, pois os que estavam reunidos no México participavam dos grupos virtualmente.

Ela insistiu em que sabemos que é um processo, na importância da escuta, mas também na realização, insistindo em que agora deve ser percorrido o caminho pela frente, passo a passo, o caminho se faz andando. Nesse sentido, afirmou que faltou um grito profético sobre o que devemos fazer, os passos a serem dados. A partir dos 12 desafios, a religiosa enfatizou que “a nossa Igreja precisa responder a aqueles desafios”.

A coordenadora do laicato relatou o testemunho de uma mulher durante o processo de escuta, que disse querer participar da Assembleia e convidar mulheres que estão em situação de prostituição e violência por que o Papa Francisco as convidava a serem ouvidas. Segundo Sônia Gomes de Oliveira, a Assembleia representou a Assembleia dos organismos do Povo de Deus celebradas no Brasil, mas também foi vista como “ensaio para o que nós queremos sobre a sinodalidade”.

Lembrando a reflexão inicial do primeiro dia dos trabalhos, citou a pergunta do padre Fidel Oñoro, que questionou “o que nos motiva a estar aqui?”. Ela relacionou a Assembleia com os 3 Reis Magos, que “começaram entender que era necessário mudar a rota”. Por isso, definiu a Assembleia como momento para mudar o caminho, a rota, as estruturas e caminhar a partir de essas experiências. Destacou as liturgias e momentos orantes, fantásticos, com um olhar de denuncia e presença da Igreja da América Latina.



Também citou a importância dos testemunhos, algo que fazia parte do programa no início do trabalho da tarde, onde apareceram realidades do povo negro, povos indígenas, mulheres, jovens, laicato. A mesma coisa com o trabalho de grupos, destacando que mesmo com línguas e procedências diferentes, “conseguimos nos entender”. Mas também disse que o que era ecoado não conseguia ser reverberado na síntese. Finalmente, voltando ao exemplo dos Reis Magos, insistiu em que “é possível perceber que podemos mudar o caminho para salvar vidas”.

Sobre a relação entre a Assembleia e o Sínodo sobre a Sinodalidade, Sônia insistiu em aproveitar a experiência, tendo em conta as coisas muito positivas e os pontos negativos. Segundo ela se faz necessário aproveitar e repensar as escutas, buscando maior presença nas periferias, “para fazer ecoar gritos presentes nas nossas igrejas e precisam ser reverberadas no Sínodo”. Nesse processo, envolver todas as pessoas na escuta e somar mais desafios além dos 12 recolhidos pela Assembleia.

Já a irmã Maria Inês lembrou a importância histórica das Assembleias dos Organismos do povo de Deus no Brasil, com a participação de todos. Em referência aos 12 desafios se faz necessário leva-los à prática na paroquias, comunidades, pastorais sociais, como contribuição para o Sínodo. Junto com isso, insistiu em que temos que dar mais protagonismo ao laicato, que é a base que vai impulsar essa Igreja sinodal, vencer o clericalismo, que é o destrói a nossa caminhada de Igreja.



Dom Mol lembrou que é aos poucos que a gente vai integrando esses desafios, chamando as convidadas a colocar os avanços desde Aparecida. Nesse ponto a presidenta do laicato destacou que a própria realização da Assembleia Eclesial já é um avanço, citando como exemplo os 2 leigos brasileiros em Aparecida, frente aos 120 na Assembleia Eclesial. Também os documentos do Papa Francisco, insistindo na importância do Sínodo para a Amazônia.

Sabendo da importância dos 12 desafios insistiu em aquele que fala do encontro pessoal com Jesus Cristo encarnado no continente, pois sem ele não vamos conseguir fazer realidade os outros. Por isso destacou uma presença de Jesus que tem que nos transformar e nos ajudar a entender nossa missão, aprender a ler cruzes para chegar à Ressurreição.

Finalmente, a irmã Maria Inês colocou o maior avanço no protagonismo do Papa Francisco, suas escolhas e forma de ser, algo expressado desde o início do seu pontificado, com sua primeira viagem a Lampedusa, mostrando onde é o lugar da Igreja, do lado dos mais pequeninos, abandonados e excluídos. Ela insistiu que o lugar da vida consagrada é onde a vida mais sofre, pois todos os institutos foram fundados para acompanhar situações de sofrimento humano. Também que, se coração não arde os pés não andam, se Jesus não é o centro da nossa vida não podemos avançar e fazer nada como cristãos e cristãs.


Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

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