sábado, 23 de julho de 2022

Ir. Cidinha Fernandes: “A necessidade de oração nasce do coração daquela e daquele que se faz discípulo”


No décimo sétimo domingo do Tempo Comum, o Evangelho de Lucas apresenta Jesus rezando em um certo lugar. Segundo a Ir. Cidinha Fernandes, “a atitude orante de Jesus provoca e faz brotar em seus discípulos uma necessidade, da qual nasce um pedido: Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos”.

A religiosa destaca que “a necessidade de oração nasce do coração daquela e daquele que se faz discípulo, aprendiz do Mestre. Os discípulos de Jesus querem que Ele lhes mostre uma técnica, talvez uma prece que os distinga de outros, mas Jesus vai além. Ele não se nega a ajudar os seus, ele apresenta um jeito de rezar que é o resumo do Projeto de Deus”.

Segundo a missionária na Diocese de São Gabriel da Cachoeira, “a oração em Jesus, ilustrada pela parábola de que se deve pedir sempre e nunca desistir é a demonstração de uma relação, no caso relação de confiança amorosa e próxima de Deus, o Pai que é nosso! Esta relação é de diálogo e dialógica, pois traz em si, a necessidade do mundo”.



A Ir. Cidinha afirma que “quando dizemos Pai Nosso, já nos leva para a dimensão comunitária, não é o meu pai. No mundo em que temos a tentação de tomar posse de tudo, sermos dono da terra, dos minérios, da floresta, das pessoas, o Pai Nosso já é profecia de que somos todos irmãos e irmãs”. A religiosa vai comentando cada um dos pedidos da oração dos cristãos: “Santificado seja o teu nome: quando tornamos santo o nome de Deus? Certamente que não é por palavras e sim por gestos de amor, acolhida, cuidado, bênção”.

Ao dizer “Venha o teu Reino, trazemos a grandeza do seu projeto, queremos o Reino de Deus aqui e agora, não o reino do consumismo, da exploração, do acumulo de riquezas que condenam milhões de pessoas a viver com fome, sem casa, sem-terra, sem pátria, com milhões de refugiados, pessoas traficadas, violadas, sem direito a vida, o reino da corrupção, da politicagem, dos desmandos, da morte de pessoas, lideranças, indígenas.... não! O Reino de Deus fala de outro mundo, de outras possibilidades relacionais, de bem viver, de vida para todos”, disse a religiosa Catequista Franciscana.

Quando a gente diz Dá-nos a cada dia o pão que precisamos, pedimos “o pão necessário a cada dia, o pão da partilha, o pão para todos, o pão que é um grito de profecia ao acúmulo, aos banquetes de alguns, enquanto outros não tem o que comer”, segundo a Ir. Cidinha. Comentando o pedido que diz “Perdoa as nossas dividas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”, ela destaca que “não basta Deus perdoar, também nós precisamos perdoar, é convite a sermos pessoas reconciliadas”. A religiosa se pergunta “Quando será paga a dívida que temos com os pobres? Roubados no mais básico de sua vida cotidiana, em sua dignidade", denunciando que “mais uma adolescente, vítima de abuso, abandono está sendo enterrada. Até quando? Como vamos construir uma sociedade de justiça, de amor?”.



Não nos deixe cair em tentação, mas livra-nos do mal”, leva a Ir. Cidinha a refletir sobre “a tentação de acomodar, de desistir, acovardar, de não ver mais saída, de achar que sempre foi assim, ricos muito ricos e pobres sem nada. A tentação de achar normal a destruição das florestas, das águas, dos povos, da diversidade. A tentação de ver a morte triunfar sobre a vida e não mais vislumbrar a Ressurreição”. Finalmente, ela vê o “Livra-nos do mal! Pois teu é o Reino, o poder e a glória para sempre” como “uma conclusão de intimidade, de reconhecimento da grandeza de Deus, tudo vem Dele e a Ele pertence. Amém!”.

A religiosa destaca na primeira leitura a “Abraão intercedendo pelos justos de forma incansável”, afirmando que “A comunidade orante reza com o salmista: Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó senhor! E aumentastes o vigor da minha alma”, pedindo “Completai em mim a obra começada, ó Senhor, vossa bondade é para sempre!”.

Finalmente, a Ir. Cidinha pede “que ao rezarmos, na intimidade com o Pai que nos lança na relação amorosa com a humanidade, possamos nos encher de força, de vida, de profecia. Que a nossa oração não seja nunca repetição mecânica de palavras, mas sim um ato de fé, de entrega confiante e de disposição em sermos discípulas do Reino de Deus!”.



Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

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