sexta-feira, 10 de maio de 2019

Eleita a nova presidência do Regional Norte 1 para o quadriênio 2019-2023

 
 
Na tarde do dia 9 de maio, os bispos do Regional Norte 1, que compreende nove (arqui) dioceses e prelazias dos estados do Amazonas e Roraima, escolheram sua nova presidência para o quadriênio 2019-2023.
Foi escolhido para presidente o bispo de São Gabriel da Cachoeira, D. Edson Taschetto Damian; para vice-presidente o Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Manaus, D. Edmilson Tadeu Canavarros dos Santos, SDB; e para secretário Bispo da Prelazia de Borba, D. Zenildo Luiz Pereira da Silva, CSsR.
O então presidente, Dom Mário Antonio da Silva, bispo da Diocese de Roraima e atualmente eleito segundo vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), expressou sua gratidão aos que o auxiliaram no período de 2015 -2019 e a disponibilidade dos que assumem agora este regional.
“Agradeço a nova Presidência do Regional Norte 1: Dom Edson, Dom Tadeu e Dom Zenildo pela prontidão em servir nossa Igreja na Amazônia.  Eu, Dom Mário Antonio, agradeço a colaboração de Dom Marcos e Dom Fernando no quadriênio que se encerra.  Gratidão ao Diácono Francisco, secretário executivo pela incansável dedicação. Gratidão a todos os Bispos pela confiança e apoio neste período de 2015-2019.  Vamos em frente com coragem e esperança! Abraços!”, disse Dom Mário Antonio.
 
 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

CNBB - Mensagem ao Povo Brasileiro

O Episcopado brasileiro, reunido em sua 57ª Assembleia Geral, de 1º a 10 de maio, em Aparecida (SP) emitiu no doa 7 de maio, a “Mensagem da CNBB ao povo brasileiro”. No documento, os bispos alertam que a opção por um liberalismo exacerbado e perverso, que desidrata o Estado quase ao ponto de eliminá-lo, ignorando as políticas sociais de vital importância para a maioria da população, favorece o aumento das desigualdades e a concentração de renda em níveis intoleráveis, tornando os ricos mais ricos à custa dos pobres cada vez mais pobres.

O documento chama a atenção para os graves problemas vividos pelos brasileiros como o crescente desemprego, “outra chaga social, ao ultrapassar o patamar de 13 milhões de brasileiros, somados aos 28 milhões de subutilizados, segundo dados do IBGE, mostra que as medidas tomadas para combatê-lo, até agora, foram ineficazes. Além disto, é necessário preservar os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”.

Segundo o documento, “o verdadeiro discípulo de Jesus terá sempre no amor, no diálogo e na reconciliação a via eficaz para responder à violência e à falta de segurança, inspirado no mandamento “Não matarás” e não em projetos que flexibilizem a posse e o porte de armas”.

Sobre as necessárias reformas política, tributária e da previdência, os bispos afirmam, na mensagem, que elas só se legitimam se feitas em vista do bem comum e com participação popular de forma a atender, em primeiro lugar, os pobres. “O Brasil que queremos emergirá do comprometimento de todos os brasileiros com os valores que têm o Evangelho como fonte da vida, da justiça e do amor”, afirma o texto.

Veja, abaixo, a mensagem na íntegra:
MENSAGEM DA CNBB AO POVO BRASILEIRO

“Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21,5)
Suplicando a assistência do Espírito Santo, na comunhão e na unidade, nós, Bispos do Brasil, reunidos na 57ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, no Santuário Nacional, em Aparecida-SP, de 1 a 10 de maio de 2019, dirigimos nossa mensagem ao povo brasileiro, tomados pela ternura de pastores que amam e cuidam do rebanho. Desejamos que as alegrias pascais, vividas tão intensamente neste tempo, renovem, no coração e na mente de todos, a fé em Jesus Cristo Crucificado-Ressuscitado, razão de nossa esperança e certeza de nossa vitória sobre tudo que nos aflige.

“Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20)

Enche-nos de esperançosa alegria constatar o esforço de nossas comunidades e inúmeras pessoas de boa vontade em testemunhar o Evangelho de Jesus Cristo, comprometidas com a vivência do amor, a prática da justiça e o serviço aos que mais necessitam. São incontáveis os sinais do Reino de Deus entre nós a partir da ação solidária e fraterna, muitas vezes anônima, dos que consomem sua vida na transformação da sociedade e na construção da civilização do amor. Por essa razão, a esperança e a alegria, frutos da ressurreição de Cristo, hão de ser a identidade de todos os cristãos. Afinal, quando deixamos que o Senhor nos tire de nossa comodidade e mude a nossa vida, podemos cumprir o que ordena São Paulo: ‘Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos!’ (Fl 4,4) (cf. Papa Francisco, Exortação Apostólica Gaudete et Exultate, 122).

“No mundo tereis aflições, mas tende coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33).

Longe de nos alienar, a alegria e a esperança pascais abrem nossos olhos para enxergarmos, com o olhar do Ressuscitado, os sinais de morte que ameaçam os filhos e filhas de Deus, especialmente, os mais vulneráveis. Estas situações são um apelo a que não nos conformemos com este mundo, mas o transformemos (cf. Rm 12,2), empenhando nossas forças na superação do que se opõe ao Reino de justiça e de paz inaugurado por Jesus.

A crise ética, política, econômica e cultural tem se aprofundado cada vez mais no Brasil. A opção por um liberalismo exacerbado e perverso, que desidrata o Estado quase ao ponto de eliminá-lo, ignorando as políticas sociais de vital importância para a maioria da população, favorece o aumento das desigualdades e a concentração de renda em níveis intoleráveis, tornando os ricos mais ricos à custa dos pobres cada vez mais pobres, conforme já lembrava o Papa João Paulo II na Conferência de Puebla (1979). Nesse contexto e inspirados na Campanha da Fraternidade deste ano, urge reafirmar a necessidade de políticas públicas que assegurem a participação, a cidadania e o bem comum. Cuidado especial merece a educação, gravemente ameaçada com corte de verbas, retirada de disciplinas necessárias à formação humana e desconsideração da importância das pesquisas.

A corrupção, classificada pelo Papa Francisco como um “câncer social” profundamente radicada em inúmeras estruturas do país, é uma das causas da pobreza e da exclusão social na medida em que desvia recursos que poderiam se destinar ao investimento na educação, na saúde e na assistência social, caminho de superação da atual crise. A eficácia do combate à corrupção passa também por uma mudança de mentalidade que leve a pessoa compreender que seu valor não está no ter, mas no ser e que sua vida se mede não por sua capacidade de consumir, mas de partilhar.

O crescente desemprego, outra chaga social, ao ultrapassar o patamar de 13 milhões de brasileiros, somados aos 28 milhões de subutilizados, segundo dados do IBGE, mostra que as medidas tomadas para combatê-lo, até agora, foram ineficazes. Além disto, é necessário preservar os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. O desenvolvimento que se busca tem, no trabalho digno, um caminho seguro desde que se respeite a primazia da pessoa sobre o mercado e do trabalho sobre o capital, como ensina a Doutrina Social da Igreja. Assim, “a dignidade de cada pessoa humana e o bem comum são questões que deveriam estruturar toda a política econômica, mas às vezes parecem somente apêndices adicionados de fora para completar um discurso político sem perspectivas nem programas de verdadeiro desenvolvimento integral” (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 203).

A violência também atinge níveis insuportáveis. Aos nossos ouvidos de pastores chega o choro das mães que enterram seus filhos jovens assassinados, das famílias que perdem seus entes queridos e de todas as vítimas de um sistema que instrumentaliza e desumaniza as pessoas, dominadas pela indiferença. O feminicídio, o submundo das prisões e a criminalização daqueles que defendem os direitos humanos reclamam vigorosas ações em favor da vida e da dignidade humana. O verdadeiro discípulo de Jesus terá sempre no amor, no diálogo e na reconciliação a via eficaz para responder à violência e à falta de segurança, inspirado no mandamento “Não matarás” e não em projetos que flexibilizem a posse e o porte de armas.

Precisamos ser uma nação de irmãos e irmãs, eliminando qualquer tipo de discriminação, preconceito e ódio. Somos responsáveis uns pelos outros. Assim, quando os povos originários não são respeitados em seus direitos e costumes, neles o Cristo é desrespeitado: “Todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes mais pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer” (Mt 25,45). É grave a ameaça aos direitos dos povos indígenas assegurados na Constituição de 1988. O poder político e econômico não pode se sobrepor a esses direitos sob o risco de violação da Constituição.

A mercantilização das terras indígenas e quilombolas nasce do desejo desenfreado de quem ambiciona acumular riquezas. Nesse contexto, tanto as atividades mineradoras e madeireiras quanto o agronegócio precisam rever seus conceitos de progresso, crescimento e desenvolvimento. Uma economia que coloca o lucro acima da pessoa, que produz exclusão e desigualdade social, é uma economia que mata, como nos alerta o Papa Francisco (EG 53). São emblemático exemplo disso os crimes ocorridos em Mariana e Brumadinho com o rompimento das barragens de rejeitos de minérios.

As necessárias reformas política, tributária e da previdência só se legitimam se feitas em vista do bem comum e com participação popular de forma a atender, em primeiro lugar, os pobres, “juízes da vida democrática de uma nação” (Exigências éticas da ordem democrática, CNBB – n. 72). Nenhuma reforma será eticamente aceitável se lesar os mais pobres. Daí a importância de se constituírem em autênticas sentinelas do povo as Igrejas, os movimentos sociais, as organizações populares e demais instituições e grupos comprometidos com a defesa dos direitos humanos e do Estado Democrático de Direito. Instâncias que possibilitam o exercício da democracia participativa como os Conselhos paritários devem ser incentivadas e valorizadas e não extintas como estabelece o decreto 9.759/2019.

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça” (Mt 6,33)

O Brasil que queremos emergirá do comprometimento de todos os brasileiros com os valores que têm o Evangelho como fonte da vida, da justiça e do amor. Queremos uma sociedade cujo desenvolvimento promova a democracia, preze conjuntamente a liberdade e a igualdade, respeite as diferenças, incentive a participação dos jovens, valorize os idosos, ame e sirva os pobres e excluídos, acolha os migrantes, promova e defenda a vida em todas as suas formas e expressões, incluído o respeito à natureza, na perspectiva de uma ecologia humana e integral.

As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, que aprovamos nesta 57ª Assembleia da CNBB, e o Sínodo para a Pan-Amazônia, a se realizar em Roma, em outubro deste ano, ajudem no compromisso que todos temos com a construção de uma sociedade desenvolvida, justa e fraterna. Lembramos que “o desenvolvimento tem necessidade de cristãos com os braços levantados para Deus em atitude de oração, cristãos movidos pela consciência de que o amor cheio de verdade – caritas in veritate -, do qual procede o desenvolvimento autêntico, não o produzimos nós, mas nos é dado” (Bento XVI, Caritas in veritate, 79). O caminho é longo e exigente, contudo, não nos esqueçamos de que “Deus nos dá a força de lutar e sofrer por amor do bem comum, porque Ele é o nosso Tudo, a nossa esperança maior” (Bento XVI, Caritas in veritate, 78).

A Virgem Maria, mãe do Ressuscitado, nos alcance a perseverança no caminho do amor, da justiça e da paz.

Aparecida-SP, 7 de maio de 2019.

Por CNBB.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Dom Mário Antônio é eleito segundo vice-presidente e compõe presidência da CNBB para o quadriênio



O arcebispo de Belo Horizonte (MG), dom Walmor Oliveira de Azevedo, foi eleito presidente da CNBB na manhã de 6 de maio, durante a 57a. Assembleia Geral dos Bispos do Brasil. Na parte da tarde, foram eleitos os dois vice-presidentes, uma novidade do novo estatuto da Conferência, pois anteriormente, apenas um bispo ocupava a vice-presidência da entidade. Os dois vice-presidentes são: dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e dom Mário Antonio Silva, bispo de Roraima.
Como manda o Estatuto da CNBB, o até então presidente, cardeal Sergio da Rocha, perguntou aos eleitos se aceitavam os encargos. Dom Walmor disse: “Aceito com humildade, aceito com temor e aceito à luz da fé”. Dom Jaime Spengler disse: “Com temor e tremor, acolho“. E dom Mário disse a dom Sergio e à assembleia aceitar a indicação e a confiança dos irmãos bispos em nome da Amazônia e do povo brasileiro. 


Dados biográficos

Dom Walmor Oliveira de Azevedo nasceu em 26 de abril de 1954, dom Walmor é natural de Côcos (BA). É o primeiro baiano a estar à frente da CNBB. É doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma, Itália) e mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico (Roma, Itália).

Em sua trajetória de formação, cursou Filosofia no Seminário Arquidiocesano Santo Antônio (1972-1973), em Juiz de Fora (MG), e na Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras (1974-1975), em São João Del-Rei (MG). De 1974 a 1977, cursou Teologia no Seminário Arquidiocesano Santo Antônio, em Juiz de Fora. Em 9 de setembro de 1977 foi ordenado sacerdote, incardinando-se na arquidiocese de Juiz de Fora.

Foi pároco da paróquia Nossa Senhora da Conceição de Benfica (1986-1995) e da paróquia do Bom Pastor (1996-1998); coordenador da Região Pastoral Nossa Senhora de Lourdes (1988-1989); coordenador arquidiocesano da Pastoral Vocacional (1978-1984) e reitor do Seminário Arquidiocesano Santo Antônio (1989-1997). No campo acadêmico, lecionou nas disciplinas Ciências Bíblicas, Teologia e Lógica II; coordenou os cursos de Filosofia e Teologia. Em Belo Horizonte, foi professor da PUC-Minas (1986-1990). Também lecionou no mestrado em Teologia da PUC-Rio (1992, 1994 e 1995).

Dom Walmor Oliveira de Azevedo foi nomeado bispo auxiliar de Salvador (BA) pelo Papa São João Paulo II, no dia 21 de janeiro de 1998. Sua ordenação episcopal foi no dia 10 de maio do mesmo ano. Em 2004, foi nomeado arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG), iniciando o ministério em 26 de março daquele ano. Em outubro de 2008, dom Walmor foi escolhido para ser um dos quatro representantes do Brasil na XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizada em Roma.

Em 1999, dom Walmor foi secretário do Regional Nordeste 3 e membro da Comissão Episcopal de Doutrina da CNBB. A mesma Comissão que, já com o nome de Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé, presidiu entre 2003 e 2011, ou seja, por dois mandatos. É membro da Congregação para a Doutrina da Fé, no Vaticano, desde 2009. O arcebispo de Belo Horizonte também exerceu a presidência do Regional Leste II da CNBB – Minas Gerais e Espírito Santo.

Em fevereiro de 2014, foi nomeado pelo Papa Francisco membro da Congregação para as Igrejas Orientais. Desde 2010, o arcebispo é referencial para os fiéis católicos de Rito Oriental residentes no Brasil e desprovidos de ordinário do próprio rito.

Com mais de 15 livros publicados, dom Walmor é membro da Academia Mineira de Letras, Cidadão Honorário de Minas Gerais e dos municípios de Caeté e Ribeirão das Neves. O novo presidente da CNBB também foi agraciado com a Comenda Dom Luciano Mendes de Almeida, da Faculdade Arquidiocesana de Mariana, e com o título de Doutor Honoris Causa, da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (2012).


Dom Jaime Spengler é natural de Gaspar, em Santa Catarina, o vice-presidente eleito nasceu em 6 de setembro de 1960. Ingressou na Ordem dos Frades Menores em 20 de janeiro de 1982, pela admissão no Noviciado na cidade de Rodeio (SC). Estudou Filosofia no Instituto Filosófico São Boaventura, em Campo Largo (PR) e Teologia no Instituto Teológico Franciscano, em Petrópolis (RJ), concluindo-o no Instituto Teológico de Jerusalém em Israel. Foi ordenado sacerdote em 17 de novembro de 1990, na sua cidade natal.

O arcebispo também tem doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Antonianum, de Roma, e atuou dentro da Ordem dos Frades Menores em diversas missões e cidades do país até 2010, quando foi nomeado em novembro do mesmo ano pelo papa Bento XVI como bispo titular de Patara e auxiliar de Porto Alegre (RS).

No ano seguinte, em fevereiro de 2011, o bispo foi ordenado na paróquia São Pedro Apóstolo, na sua cidade natal, Gaspar, pelo Núncio Apostólico no Brasil, na ocasião, dom Lorenzo Baldisseri. Em 18 de setembro de 2013, o papa Francisco nomeou dom Jaime Spengler como novo arcebispo de Porto Alegre.

Em março de 2014, o papa Francisco nomeou dom Jaime Spengler como membro da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. Em abril de 2015, na 53ª Assembleia Geral da CNBB, foi eleito presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, para a gestão 2015-2019. Na ocasião, recebeu 205 votos de um total de 283 votantes, superando a maioria absoluta requerida no segundo escrutínio, que era de 143 votos. Também em 2015, o arcebispo foi eleito presidente do regional Sul 3 da CNBB, que corresponde ao Estado do Rio Grande do Sul, para a gestão 2015-2019.


Dom Mário Antônio da Silva nasceu em Itararé (SP), em 17 de outubro de 1966, dom Mário Antônio da Silva estudou Filosofia e Teologia no Seminário Maior Divino Mestre, da diocese de Jacarezinho. Possui mestrado em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, na Itália.

No ano de 1991, foi ordenado padre em Sengés, no estado do Paraná, por dom Conrado Walter. Era chanceler da diocese de Jacarezinho quando foi nomeado bispo auxiliar de Manaus no dia 9 de junho de 2010.

Sua ordenação ocorreu na Catedral de Jacarezinho em 20 de agosto de 2010, em celebração presidida por dom Mauro Aparecido dos Santos, arcebispo de Cascavel. A missa de acolhida na arquidiocese de Manaus aconteceu no dia 12 de setembro de 2010, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição.

Em 2015, foi eleito durante a 53ª Assembleia Geral da CNBB como presidente do regional Norte 1, que compreende o Estado de Roraima e o norte do Amazonas, para o quadriênio de 2015-2019. Também é referencial da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB. Em junho de 2016, foi nomeado pelo papa Francisco como bispo de Roraima, tomando posse em setembro do mesmo ano. Escolheu como lema episcopal “Testemunhar e Servir”.

Fonte: http://www.cnbb.org.br/o-presidente-e-os-dois-vice-presidentes-da-cnbb-foram-eleitos-nesta-segunda-feira/

terça-feira, 26 de março de 2019

Escutemos o Grito que vem do Rio Juruá, afirma assessor da REPAM-Brasil


Por Luis Miguel Modino.
Fotos: Francisco Lima

O processo do Sínodo para a Amazônia tem sido de muita riqueza e esperança, e deve levar os povos da região a refletir e tentar assumir novas dinâmicas, novos caminhos, uma atitude que vai sendo assumida nos diferentes cantos. No Rio Juruá, que faz parte da Prelazia de Tefé se encontra a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, que recentemente refletia sobre o Sínodo, com a orientação de Francisco Lima, Secretário Executivo do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB e assessor da REPAM-Brasil.

A assembleia foi momento para mostrar como o Evangelho deve ser inculturado na vida do povo e as celebrações, na medida em que mostram a vida cotidiana, são instrumento que ajuda a descobrir melhor a presença de Deus. Isso apareceu, segundo Francisco Lima, em um “ambiente todo preparado de forma amazônica, com canoa, frutos, e flores, um altar feito com um tronco de árvore com uma taboa onde as mulheres ribeirinhas lavam suas roupas”.



Na história da evangelização da Amazônia aparece a “lembrança de missionários e missionárias que gastaram suas vidas neste chão, também no Rio Juruá”, afirma Francisco Lima. Para lembrar essas figuras, a REPAM tem elaborado materiais audiovisuais que mostram a importância de quem deu a vida pela Amazônia e seus povos. Uma delas é a Ir. Cleuza, religiosa que trabalhou na Prelazia de Lábrea, realidade próxima da vida do povo do Juruá, de quem foi realizado um documentário sobre seu Martírio, exibido durante a assembleia.

Seguindo o método do ver, julgar e agir, a partilha de vida, de experiências, mostrou muitas emoções e muitos exemplos de vida, mas também muitos desafios, segundo o Secretário Executivo do Regional Norte 1. Isso foi julgado tendo como base o texto do livro de Gênesis, 2,15, em que Deus confia ao homem e a mulher a criação divina, o que cobra sentido numa região onde os povos originários tem sabido estabelecer uma relação de harmonia com a Mãe Terra. O agir, segundo Francisco Lima, foi momento de renovar as esperanças, de sonhar, como diz o canto: “um sonho bom, sonho de muitos... sonhar ligeiro, sonhar companheiro, sonhar em mutirão”.

A Igreja do Rio Juruá é uma Igreja que sonha, como foi expressado por um grupo formado pelas crianças e adolescentes que estava na assembleia, sonharam com uma Igreja que dê mais atenção a elas, que trabalhe mais a vocação, que tenha mais padres, que esteja mais próxima. Junto com isso, como informa Francisco Lima, os demais grupos pediram uma Igreja que se preocupe mais com a Casa Comum, que cuide da natureza, da criação; Uma Igreja que valorize mais os diversos ministérios que tenham diáconos permanentes, sacerdotes, missionários e missionárias, leigos e leigas, uma Igreja Sinodal, comunhão, participação. Que esteja mais perto das comunidades, que pense não a partir dos grandes centros, mas a partir da última comunidade, da mais distante, que forme seus leigos e leigas, que se preocupe com a vida de seu povo. Um gesto concreto surgiu a partir desta assembleia, as comunidades foram organizadas em setores, cada setor identificado por nomes de missionários e missionárias que gastaram a vida nesta região.

Um forte Grito ecoa desde o Rio Juruá, da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, nesta assembleia as cerca de 70 lideranças clamam, segundo Francisco Lima, “por uma Igreja que leve em conta que a Amazônia tem vários rostos, e um deles está aqui em Juruá, um rosto indígena, ribeirinho, jovem, feminino, caboclo, que requer por parte da Igreja uma atuação mais próxima, mais presente, sobretudo junto as comunidades distante das cidades”.

O Assessor da REPAM-Brasil destaca que “a Assembleia que foi acompanhada pelas bênçãos de Deus, através da chuva foi encerrada também em meio as águas que caíram do céu”. Ele define a ocasião como um “momento bonito, vivenciado e celebrado por este povo de fé, que mesmo em meio a tantos desafios é perseverante e pede que a Igreja tenha um olhar carinhoso, que valorize sua história, suas culturas, sua vida, um olhar cuidadoso, que ajude a cuidar de suas vidas e um olhar esperançoso que toda a Igreja possa perceber que aqui neste pedaço da Amazônia chamado Juruá, é também uma grande fonte de vida para Igreja e para o mundo”.




Pascoms do Regional Norte 1 participam de Encontro da Repam para comunicadores da Amazônia


Quatro comunicadores do Regional Norte 1 participaram do Encontro de Formação da Rede Eclesial Pan-Amazônica / Repam-Brasil para Comunicadores da Amazônia, que contou com 29 representantes dos seis regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) localizados na Amazônia Legal. O evento aconteceu no Centro Cultural Missionário (CCM), em Brasília, entre os dias 22 e 24 de março.


O objetivo do encontro foi apresentar aos comunicadores convidados o plano de comunicação institucional/organizacional da Repam, construído pelo Grupo de Trabalho de articulação para as ações na área da comunicação, realizada entre os dias 8 e 10 de fevereiro, e formar uma rede de comunicadores que contribua com os processos de comunicação institucionais da Repam e também dos comitês locais, atuando na promoção da vida e da prática de uma ecologia integral, através de uma comunicação voltada para provocar, estimular e apoiar o processo de transformação social nas comunidades amazônicas e uma comunicação amazônica a partir das comunidades,  com modelo colaborativo, transversal, participativo e em rede, voltada para os anseios das comunidades.


Durante o encontro houve um aprofundamento sobre comunicação amazônica e popular; oficinas de redes sociais, rádio e foto e vídeo; e também foram apresentados cases de iniciativas, como o coletivo de comunicação da rede Justiça nos Trilhos, do Maranhão; a TV da diocese de Juína, no Mato Grosso; a revista da Pastoral da Juventude do Acre, “A voz da juventude” e a revista da Arquidiocese de Manaus “Arquidiocese em Notícias”.