segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Andar por toda a parte fazendo o bem - Artigo do site CNBB



O Batismo de Jesus marca o início de sua vida pública. Ele começa a realizar efetivamente a sua Missão entre nós. Assim nos relatam os Evangelistas Mateus, Marcos e Lucas (cf. Mt 4, 1; Mc 1, 12; Lc 3, 23. 4, 1). Eles colocam o início das atividades de Jesus imediatamente após ter sido batizado por João no Rio Jordão. Marcos após relatar o batismo de Jesus, escreve: “Logo depois, o Espírito o fez sair para o deserto” (1, 12).

O Batismo que Jesus recebeu não é o batismo que nós recebemos. Jesus foi batizado com o batismo de João, que era “um batismo de conversão, para o perdão dos pecados” (Mc 1, 4). Embora Jesus não precisasse deste batismo, pois não tinha pecado, ele, também, aqui no batismo desejou ser igual a nós, numa grande demonstração de humildade. É bom ler o diálogo de João Batista com Jesus antes dele ser batizado (cf. Mt 3, 13-15).

O Batismo que recebemos é o Batismo instituído por Jesus, conforme encontramos relatado pelos evangelistas Mateus e Marcos (Mt 28, 19; Mc 16, 15-16). Como nos ensina Paulo, pelo batismo que recebemos, participamos da morte e ressureição de Jesus e passamos a viver uma vida nova (cf. Rm 6, 4-5).

Esta vida nova que começa em nosso batismo se consolida no seguimento de Jesus. O batismo nos faz discípulos e discípulas dele (cf. Mt 28, 19). Ser discípulo/discípula dele significa “aprender dEle” (cf. Mt 11, 29), fazer como Ele fez (cf. Jo 13, 15) e amar como Ele amou (cf. Jo 13, 34).

Pedro na segunda leitura da Festa do Batismo de Jesus (cf. At 10, 34-38) nos oferece uma informação essencial para que possamos viver bem o nosso batismo, conformando (assumindo a forma) da vida de Jesus. Pedro em uma catequese na casa de Cornélio disse: “Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Por toda a parte ele andou fazendo o bem” (At 10, 37-38).

Jesus andou por toda a parte fazendo o bem. Mateus escreve em seu evangelho o recado de Jesus para João Batista que mandou saber se ele era mesmo o Messias. Neste recado de Jesus encontramos exemplos do bem que Ele andou fazendo por toda parte. Vejamos: “Cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são curados, surdos ouvem, mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa Nova” (Mt 11, 5). Jesus foi humilde pois não mandou dizer que ele tinha dado pão aos famintos (cf. Jo 6, 5-13), que tinha evitado que a mulher adúltera fosse morta à pedradas (cf. Jo 8, 1-11), que superou o preconceito contra a mulher, causando até escândalo aos apóstolos (cf. Jo 4, 4-30).

Se Jesus andou por toda a parte fazendo o bem, nós que o seguimos somos, também, chamados e chamadas a fazer como Ele fez. Devemos, portanto, nos perguntar, tem sido assim a minha vida? Ando por toda a parte fazendo o bem: na família, no trabalho, no estudo, onde moro, com meus amigos e amigas, na minha Comunidade de fé? Que bem tenho feito e quem bem posso ainda fazer ou fazer melhor?

Esta nossa missão de fazer o bem é permanente e não depende de ninguém. Devemos fazer o bem mesmo quando recebemos o mal ou quando vemos o mal crescendo no meio e nós. Lembremos do que nos diz Paulo na carta aos Romanos: “A ninguém pagueis o mal com o mal. Empenhai-vos em fazer o bem diante de todos… Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal pelo bem” (12, 17.21).

Fazer o bem a todas as pessoas, mas devemos fazer o bem a quem mais precisa de nossa ajuda, tornando assim o bem que fazemos em gestos de solidariedade que como nos ensina São João Paulo II é “a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum, ou seja, pelo bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos” (Carta Encíclica Sollicitudo Rei Socialis, nº 38).

Podemos fazer o bem de muitas e diversas formas, individual ou comunitariamente, mas quero lembrar os chamados areópagos modernos, que o Documento 105 da CNBB nos números 255 a 272 apontam como espaços próprios para os cristãos leigos e as cristãs leigas agirem: a) a família: comunidade de vida e de amor, escola de valores, Igreja doméstica, grande benfeitora da humanidade; b) a política: uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum; c) o trabalho: um direito fundamental da pessoa humana e meio importante para servir à sociedade; d) a cultura e a educação: contribuem para a promoção do desenvolvimento integral da pessoa; e) os meios de comunicação: podem colaborar com o bem comum, com a comunidade em suas necessidades e com as superação dos problemas sociais; f) a Casa Comum:  a defesa da criação, das águas, das florestas e do clima.

Por  Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira
Bispo da Prelazia de Itacoatiara

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Regional finaliza processo de síntese das escutas para o Sínodo para a Amazônia

Por Ana Paula Lourenço – Pastoral da Comunicação Regional Norte 1 –AM/RR

Com a finalidade de sintetizar todas as escutas realizadas com os mais diversos grupos das nove (arqui)dioceses e prelazias do Amazonas e de Roraima, o Regional Norte 1 da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou entre os dias 30 de novembro e 2 de dezembro, em Manaus, uma assembleia territorial pré-sinodal para apresentar a síntese realizada a partir dos 34 relatórios de escutas enviados à equipe de trabalho, onde foram destacados alguns elementos como a valorização dos povos indígenas, a questão da cultura, do saber tradicional, do cuidado com a natureza, com a Casa Comum e expressões culturais.
Por meio de uma carta, o Cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário geral do sínodo dos bispos, deixou uma mensagem motivadora para este trabalho que, segundo ele, ajuda todo o território da Amazônia  a participar ativamente da preparação do sínodo para a Amazônia que vai ocorrer em outubro de 2019, tendo como objetivo a evangelização dos povos dos territórios amazônicos, com especial atenção aos povos indígenas. Nesta, afirmou que tudo o que for levantado, fruto do trabalho e discernimento das escutas serão muito úteis para toda a Região Amazônica, iniciativa esta que confirma ser esta uma igreja sinodal, ou seja uma igreja participativa e corresponsável.

Toda a escuta foi realizada utilizando o método VER, DISCERNIR E AGIR, e enviada à comissão por meio de relatórios, totalizando 34 (até o momento da assembleia territorial) sendo dez de comunidades e paróquias, cinco de povos indígenas, nove de organizações pastorais regionais, nove das igrejas locais e um da assembleia do Regional Norte 1 ocorrida em setembro deste ano. O trabalho de síntese dos pontos destacados por cada participante desse processo foi realizado pela equipe formada por Pe. Zenildo Lima, Ir. Rose Bertoldo e Pe. Luiz Modino, que apresentaram o resultado para avaliação e inserção de algum ponto muito relevante. Todo o conteúdo será levado para um grande trabalho de síntese nacional, no mês de dezembro, tendo como porta-voz padre Zenildo Lima.  Depois desta etapa, haverá a construção do Instrumentum Laboris, que norteará os trabalhos do sínodo que vai ocorrer no Vaticano, em outubro de 2019, com a presença dos bispos que atuam na Amazônia.
 “A nossa atitude foi de acolher as propostas vindas das nossas (arqui)dioceses e prelazias que nos motivaram a fazer grupos e a propor acréscimos. Queremos que as propostas aqui  oficializadas sejam encaminhadas para um novo ciclo de análise que vai servir de material para a elaboração do instrumento de trabalho, um novo texto que vai ajudar os bispos na realização do sínodo em outubro do próximo ano. Quero agradecer a todas as comunidades, paróquias e áreas missionárias, dioceses e prelazias, todos que participaram desse processo que continua para o bem da Amazônia, em uma ecologia integral, no cuidado com a criação, sobretudo com as comunidades e povos originários e todas as pessoas que residem nesta belíssima e grande região que compreende também oito países”, destacou Dom Mario Antonio da Silva, Bispo de Roraima e Presidente do Regional Norte I da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).   
Segundo Dom Mário Antônio, em todo o processo de preparação houve a intenção de buscar novos caminhos de evangelização para a nossa Igreja. “Sabemos que o caminho é a comunidade, é o bem de família, e ao mesmo tempo vida em abundância para todos. Vivemos em tempos difíceis de muitos desafios e também de possíveis ameaças a nível nacional e estadual, por isso queremos que o processo do sínodo seja um despertar e reanimar para que possamos não ficar anestesiados diante de possíveis ameaças para a vida humana, da Amazônia e do nosso planeta. Que sigamos unidos como mensageiros da esperança, com a alegria  de que o reino de Deus está no meio de nós e nos fortalece na luta pela justiça e na construção de uma cultura de paz”, enfatizou Dom Mário.



Ao final, como de costume, foi escrita uma carta em que se destacou ser o Sínodo um tempo de graça, um kairós, que convoca todos a elevar as vozes e dar as mãos e seguir; sendo um processo que gera possibilidades, promove a escuta e uma ferramenta que ajuda a recolher as vozes proféticas dos povos da Amazônia, reconhecendo o papel da mulher, em uma sociedade dominada pelo mercado, pelos grandes projetos, com propostas perversas.

“Sonhamos com uma Igreja ousada, dialogal, inclusiva, pobre, solidária, mística, em saída. Uma Igreja que quer se expressar em uma liturgia e sacramentos inculturados, que assimila as culturas, dá valor à religiosidade popular e mariana, promove o diálogo inter-religioso, desde a escuta e a teologia indígena. Uma Igreja profética, que promove novos paradigmas de comunicação, com pauta nos povos da Amazônia, que atua em rede e busca repercutir a vida da região”.

Confira na íntegra a carta escrita pelos participantes desta assembleia territorial pré-sinodal.
 

 

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Políticas Públicas é temática de encontro formativo promovido pelo Regional Norte 1 em Manaus

Representantes de Pastorais, Serviços e Organismos do Regional Norte 1 – Amazonas e Roraima da CNBB estiveram reunidos entre os dias 27 e 29 de novembro, no Centro de Formação Maromba, situado no bairro Chapada, para participar do encontro de formação sobre a temática da Campanha da Fraternidade de 2019 “Políticas Públicas”, conduzida pela assessoria do bispo do Alto Solimões, Dom Adolfo Zon Pereira, que é especialista no assunto.

Foram três dias de intensa reflexão para despertar nos participantes, cerca de 90 pessoas, a compreensão sobre políticas públicas e sua importância, visando seguir o objetivo da Campanha da Fraternidade 2019 que pretende estimular a participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, conhecendo como são formuladas e aplicadas as Políticas Públicas no âmbito municipal, estadual e federal. Espera-se que os presentes neste encontro sejam multiplicadores, levando estas reflexões e fomentando discussões nas comunidades de todas as nove prelazias e dioceses do Regional Norte 1 que compreende os Estados do Amazonas e Roraima.

Dom Adolfo deu uma verdadeira aula sobre porque existem e como deveriam funcionar as políticas públicas e também relacionou a isso a doutrina social da Igreja Católica. Destacou que o ser humano é essencialmente social e precisa do outro para sobreviver, por isso é tão importante que conheça a cultura política, seus valores e idéias, atitudes e predisposição, opinião política, saber quem são os atores e agentes envolvidos, as instâncias que existem, quais espaços o cidadão pode adentrar e fazer a diferença, lutando conta a corrupção e para que estas políticas beneficiem a sociedade como um todo, especialmente no campo da saúde, educação, habitação, dentre outros, garantindo os direitos e a cidadania, promovendo justiça social.

“Trabalhamos para fazer familiar o texto-base que a Campanha da Fraternidade está nos oferecendo, sobre a temática das políticas públicas. Eu tentei, no primeiro dia, coloca a CF dentro do contexto da quaresma, porque eu creio que é um elemento muito importante, pois sublinha uma dimensão muito importante da quaresma que é a conversão estrutural e social porque não devemos nos esquecer que o ser humano é um ser social, então a conversão tem também que atingir as suas relações com os outros e também as estrutura que ele vai criando”, destacou o bispo do Alto Solimões.

Na tarde do segundo dia de encontro (28/11), os presentes se dividiram em 12 grupos para refletir as pistas que foram dadas por toda a exposição dentro do método VER, para julgarem e formularem propostas (AGIR) do que pode ser realizado em cada localidade na intenção de disseminar uma visão crítica e tornar as pessoas agentes de transformação, conscientes de seus direitos e deveres diante da sociedade, buscando o bem comum.

“Eu creio que um dos compromissos do ser cristão é também converter as estruturas de pecado em estruturas da graça de Deus. Eu creio que no campo da política, é possível converter ou fazer dessas estruturas canais da graça de Deus. Pra isso, a primeira coisa que temos que fazer é conhecer a natureza dessa atividade, e respeitando suas leis internas, nós vamos colaborar para que também a graça de Deus passe por este mundo da política que tanto precisa. E eu creio que se a sociedade estiver muito mais perto daqueles que nós escolhemos para levar para frente a comunidade política e as suas ações, eu creio que no final vamos ganhar todos. Eu espero que esta campanha da fraternidade nos empolgue e nos faça mais próximos das nossas autoridades para que juntos possamos encontrar as soluções que mais convenham aos problemas que nós estamos sofrendo”, explicou Dom Adolfo.

Por Ana Paula Lourenço – Pastoral da Comunicação Regional Norte 1 – AM/RR

sábado, 10 de novembro de 2018

Encontro Regional dos Presbíteros realizado em Itacoatiara reuniu mais de 70 padres do Regional Norte – 1

De 5 a 9 de novembro, aconteceu em Itacoatiara (AM), na Paróquia Divino Espírito Santo, o Encontro Regional dos Presbíteros, contando com a presença de 74 padres do Regional Norte 1  amazonas e roraima,  e três bispos, Dom José Albuquerque, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus; Dom José Ionilton, bispo da prelazia de Itacoatiara; e Dom Giuliano Frigen, bispo de Parintins. O encontrão teve como tema “O Burnout na vida consagrada e Religiosa” e Lema “cuidai de vós mesmos e de todo rebanho, pois o Espírito Santo vos constitui como guardiões”.
O assessor do encontro foi o psicólogo clínico do Instituto “Acolher” de São Paulo, o  Dr. Wellington Heleno, que trabalha no acompanhamento de Presbíteros, religiosos e seminaristas. O objetivo foi continuar com a formação permanente dos padres e fomentar a fraternidade Presbiteral, e o tema refere-se a uma doença psíquica, um estado de esgotamento físico e mental, cuja causa está intimamente ligada à vida profissional e quem lida diretamente com pessoas.
O próximo Encontro Regional está previsto para a cidade de Coari AM, em 2020.
Informações e fotos – Pe. Marcicley Martins, secretário da Pastoral Presbiteral do Regional Norte 1 – Amazonas  e Roraima

sábado, 29 de setembro de 2018

Regional Norte 1 - Amazonas e Roraima emite carta ao povo de Deus sobre as Eleições 2018

Os participantes da 46a. Assembleia do Regional Norte 1 - Amazonas e Roraima, reunidos em Manaus de 24 a 27 de setembro, produziram uma carta ao povo de Deus sobre as Eleições 2018 , reafirmando o valor do voto e a importância da efetiva participação do exercício direto da democracia, sem abrir mão de princípios éticos e dispositivos gerais, convidando todos a viver um compromisso com a política conhecendo e avaliando propostas aos candidatos ao poder executivo (presidente, senador, deputados federais e estaduais), comparecendo às urnas e votando de forma livre e responsável, e depois acompanhando os eleitos para que possam cumprir o que prometeram e promover políticas públicas visando melhorar a qualidade de vida de todos os cidadãos.

Confira na íntegra!

 
 
https://arquidiocesedemanaus.org.br/wp-content/uploads/2018/09/Carta-eleições-2018.pdf