quinta-feira, 1 de abril de 2021

Dom Leonardo Steiner chama a “ler a humanidade: as suas dores e sofreres, as suas buscas e sonhos”, na Missa Crismal



O Ginásio do Colégio Auxiliadora de Manaus acolhia na manhã da Quinta-feira Santa a Missa dos Santos Óleos da Arquidiocese de Manaus, um momento importante na vida de toda igreja particular, em que são abençoados os Santos Óleos que farão parte da vida sacramental da Arquidiocese e os padres renovam suas promessas sacerdotais.

Seguindo uma imagem muito presente na sua reflexão nos últimos tempos, o Arcebispo de Manaus centrava sua homilia em torno da Palavra, afirmando que no trecho do Evangelho de Lucas, que faz parte da liturgia da Missa do Santo Crisma, “encontramos a passagem que dá sentido e vigor à nossa vocação e missão como discípulos missionários; nos apercebemos ungidos e enviados”. Dom Leonardo Steiner chamava aos presbíteros a “voltar ao nosso nascer, para ser nascidos, para vir à luz na nossa vida e missão, no nosso ministério”.

O arcebispo destacava a importância de ler as “palavras que guardam a vida, as alegrias, as dores, os abandonos, a história, os amores, a solidão, as preces, a destruição, o esquecimento, a missão”. Mas também, junto com as palavras, “ler a humanidade: as suas dores e sofreres, as suas buscas e sonhos, a sua fé com seus cantos, lamentos, cantares, partilhas, os segredos reservados apenas para Deus”. Ler, e “ao ler, ler-se”, aprender com São João Maria Vianney, algo que lembrava Simone Weil, “a ler as almas”. Segundo Dom Leonardo, “lemos o coração aflito, as dores, a fome, a nudez, a prisão dos nossos irmãos e irmãs, quando na proximidade”, algo que a gente não consegue “enquanto girarmos em torno de nós mesmos”.

Ser “evangelizadores da alegria, da esperança”, o que nasce do espírito e da unção, evangelizar inclusive sem palavras, “ser uma Boa-Nova! Não triste, neutra, indiferente”, insistia Dom Leonardo Steiner, que citava as palavras do Papa Francisco em que nos lembra a “alegria dum Pai que não quer que se perca nenhum dos seus pequeninos”. Ele colocava a Madre Teresa de Calcutá como exemplo de anuncio sem palavras.




Falando aos sacerdotes, o Arcebispo de Manaus os lembrava que são “enviados para ungir”. Isso se faz realidade ao “deitar o óleo do consolo aos aflitos no coração, o óleo da proximidade aos descartados e abandonados das nossas ruas; ofertar o óleo da comida aos famintos, o óleo da acolhida, da casa, aos sem teto; revestir com esperança aos que estão nus sem destino”, relatando assim muitas ações desenvolvidas ao longo da pandemia na Arquidiocese de Manaus. Por isso, é necessário “não reter o bem gratuitamente recebido”.

Nas suas palavras, o arcebispo fazia referência à Assembleia Sinodal, convocada recentemente, que mostra “a certeza de que ninguém caminha sozinho na nossa Arquidiocese; que as nossas comunidades são sinal do Reino novo; que os pobres são acolhidos;que podemos visibilizar esse Reino como novos ministérios”. Também agradecia aos sacerdotes, “pelo bem que realizam em favor do povo de Deus, das nossas comunidades neste tempo de pandemia”. O arcebispo agradecia “a disponibilidade e prontidão do óleo do consolo nos cemitérios, nos velórios; o óleo da misericórdia nos corações arrependidos, no atendimento aos pobres, aos irmãos e irmãs em situação de rua; o óleo do alimento na distribuição de cesta básicas; o óleo benfazejo que cobre a nudez, que agasalha, que oferece casa. O óleo da escuta aos desconsolados/as, aos buscantes de sentido na dor e despedida”.

O mesmo agradecimento, o arcebispo fazia aos diáconos, à vida consagrada, às nossas lideranças, os ministros e ministras das nossas comunidades, pois “cada um externalizou o mais precioso, o amor terno e generoso. Cada um expressou a sua paternidade-materna no estar e ser presença de Jesus”.

No final da celebração, Dom Leonardo lembrava que na Igreja de Manaus “as necessidades são muitas, mas se tivermos a ousadia de ler e nos sentirmos ungidos e enviados, nós conseguiremos chegar até onde nós às vezes imaginamos não chegar”. Ele relatava a visita que na segunda-feira fez em três aldeias indígenas, e o sentimento de gratidão do povo com sua presença, até o ponto de afirmar que “nós nunca esperávamos que o bispo viesse”. O arcebispo refletia, afirmando que “são comunidades pequenas, às vezes distantes, que nós não lembramos, mas eles se sentem igreja”. Diante disso insistia em que “nós temos essa tarefa de ir, sem medo de ir, temos que ir, talvez tenhamos que sair mais”, enfatizando que “isso é que nos realiza, quando saímos de nós mesmos, isso tem a ver com a integridade da nossa pessoa”.



Luis Miguel Modino, assessor de cimunicação CNBB Norte 1

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